Sábado, 6 de Novembro de 2010

Contigo...

Pego numa cadeira, sozinho, olhando o horizonte, e não posso evitar pensar em ti...
Os meus desejos transformam-se num sonho doce, no qual estás a meu lado, vendo o mesmo que eu, sentindo como eu este ar quase puro.
Imagino que cai a noite.
Daqui pode ver-se a escuridão do céu que apenas é rasgado pela luz da lua e das estrelas que brilham cheias de força e energia.
Estás ao meu lado quando cai a noite...
Vejo o teu sorriso e os teus olhos brilhantes.
Da tua boca sai um sussurro quase inaudível antes de nos perdermos no mar de sensações que me provoca sentir os teus lábios nos meus...
A noite fica eternamente curta.
Sinto cada segundo ao teu lado, o toque da tua pele, cada momento de puro prazer, até que, extasiados, contemplamos a chegada de um novo dia, vemos juntos o amanhecer...


Alma às 12:48
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Cinderella

Quero ser alguém para ti, ser especial,
que ao pensares em mim te escape um sorriso,
que brilhem os teus olhos, que acelere o teu coração...

Quero estar nos teus sonhos,
na tua realidade,
que todos os momentos da tua vida façam parte dos meus.

Quero que penses em mim como eu penso em ti,
ver os teus sentimentos puros e sinceros,
sentir na minha pele as emoções da tua.

Quero que a nossa história seja uma história de amor,
um conto de fadas com final feliz.
E quero que também tu o queiras!


Alma às 23:59
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

É hoje

Aprendemos que a vida é um momento especial, com presentes, com sonhos, com a esperança sobre as nossas cabeças, como um pêndulo que nos faz crescer e crescer. Sabemos que a casualidade e a predestinação não existem, que dentro de nós existe um motor que nos faz crescer mais, hoje, e nos dias que nos restam...
Em busca da perfeição da alma, descubro a experiencia maravilhosa de celebrar o presente e ainda mais... de amar a vida.
Por vezes a nostalgia ultrapassa a sua conta e mesmo que tentemos ver, enevoam-se os olhos, o futuro que não se espera, vale sempre a pena, será sempre um ensinamento e um dom.
Foram anos repletos de "tudo" e isso é o gosto de poder abraçar os sonhos e agarrar-me às estrelas.

É hoje o dia do meu feliz aniversário, intercalado com dias infelizes e outros assim-assim.
Feliz aniversário para mim!


Alma às 23:50
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Acordar

Quando algo corre mal, tudo corre mal...
Quando decidi aceitar o caminho que tinha escolhido, o caminho mudou.
Agora, perdido, procuro na escuridão o caminho perdido ou outro, simplesmente com a intenção de continuar a dar passos, não interessando a direcção.
Em frente vejo o abismo que eu próprio construí ao longo dos tempos e do qual me tentava distanciar cada vez mais.
Exausto, pergunto se não terá sido tudo um pesadelo. A resposta chegará com o tempo...

Apenas quero acordar, seja num caminho repleto de flores e luz ou no caminho oposto, o das trevas. Quero que o tempo passe e que chegue o futuro, bom ou mau, e poder continuar a caminhar, errando, levantando-me, chorando e rindo.

Acordar e que seja manhã.


Alma às 22:31
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Sábado, 1 de Maio de 2010

ADEUS

Hoje despeço-me de ti, das tuas recordações que tardavam em desaparecer, do amor que sentia por ti, das lágrimas que a cada noite derramei, da ansiedade que sentia ao pensar em ti, da intranquilidade...
Não me valorizaste, não me respeitaste, usaste-me descaradamente e foste tu quem deitou tudo a perder, mas a minha consciência está tranquila porque apenas te quis fazer feliz, com os meus enganos e erros, mas ninguém é perfeito.

Depois de tudo de mal que passei por ti e no poço sem fundo em que me encontrava, agradeço que tenhas passado pela minha vida, apesar de teres deixado o sabor mais amargo que se possa provar, deixaste-me algum ensinamento, aprendi a valorizar-me, a ver o mundo para além dos teus olhos, a perceber que há um mundo depois de ti.

Acabou! Agora sou a minha lei, a minha palavra, o meu corpo, sou eu. Não preciso de ti para ser feliz, mesmo que jamais te esqueça, não preciso de ti.
Sigo com a minha vida, que agora redescubro, tenho tanto para dar e tanto para receber.

Tenho pena não me despedir de ti convenientemente, olhos nos olhos, mas tu assim quiseste. Havia muitas coisas por dizer, umas boas outras nem por isso.

Espero do fundo do coração que te consigas tratar e que encontres alguém que te faça feliz.

Por ultimo, despeço-me para sempre da pessoa que deixaste caída, da qual apenas restavam pedaços, a que deixou tudo por ti.

ADEUS


Alma às 23:48
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Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Sentimento de impotência

Hoje é um daqueles dias em que, se pudesse, renunciaria a capacidade de pensar.
Talvez o problema seja que não penso de uma forma lógica e ordenada, mas também acho que não é possível fazê-lo em determinadas situações.
Nem tudo o que parece é, no entanto, tenho de considerar a possibilidade de o ser, e isso aterroriza-me.
Ainda assim, as soluções que encontro, no meio deste caos mental, não são de todo boas ou adequadas...

Isto já me aconteceu antes. Nesse momento difícil, chocando com a opinião de alguns, deixar o tempo passar. Fico feliz por tê-lo feito pois estavam enganados e uma atitude alarmista não seria boa para ninguém. Agora repete-se... é certo que da primeira vez era falso alarme, o que não significa que desta vez também o seja.
Não sei que pensar, muito menos que fazer!

Escrever ajuda-me a ordenar as ideias e tem um poder tranquilizante sobre mim. Já quase me sinto com forças para enfrentar a situação de uma forma calma.
Nisto, não me posso dar ao luxo de me enganar!

Oxalá, algum dia, possamos viver felizes num mundo sem maldade...


Alma às 20:18
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

A tempestade

Depois de navegar em águas enfurecidas pela tempestade, já sem forças mas ainda vivo, chego a um mar tranquilo. Penso que tudo passou mas cedo me apercebo do meu erro.
Durante a tempestade agarrei-me a um barril e, o mais rapidamente possível, tentei retirar a água que entrava por pequenos orifícios. Só queria sair daquele inferno, sem me preocupar com os destroços. Nem sequer pensei em avalia-los de forma racional.
Agora, em águas paradas, quando pensei que poderia descansar e recarregar energias, vejo como me afundo, lentamente, pelos buracos da carcaça.
Sobrevivi à tempestade acreditando que com calma tudo se solucionaria. Agora, exausto, deixo-me ir...


Alma às 23:59
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Domingo, 25 de Abril de 2010

Tudo muda

Tudo muda com o tempo.
A forma de pensar que tinha há 10 anos não é a mesma com que penso hoje.
Mudam os sentimentos, mudam os gostos, os desejos, os sonhos...
Mudam os amigos, as necessidades, muda a família...
No entanto a mudança que mais influenciou a minha vida, nem sempre a vejo... a minha mudança pessoal, o modo de interacção com o mundo.
Tudo muda com o tempo...
Tudo muda com as nossas mudanças.


Alma às 22:29
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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Sinto a tua falta

Sinto muito a tua falta!
Talvez não sinta falta de ti mas sim do que me fazias sentir.
Sinto falta dos momentos, da ilusão da espera, dos rituais antes de te ver.
E penso que sinto a tua falta...
Talvez não sinta falta de ti porque poderias ser qualquer uma, e fazer-me sentir o mesmo, a mesma vontade de te ver, de te sentir, de te tocar...
Sinto falta de alguns sonhos que sem ti não existem,
Sinto falta da esperança de um novo dia igual a tantos outros,
Sinto falta das borboletas que voavam nas minhas entranhas.

Sabes?
As borboletas ainda existem mas estão cansadas, já não voam como antigamente, aceitaram a nova condição de borboletas sem asas.
Passam o dia adormecidas e à noite...

Nessas noites em que sinto a tua falta, quando te procuro e não te encontro, quando duvido que tenhas sido tão real, quando realidade e imaginação se unem, quando a minha loucura me domina e te chamo silenciosamente.

Sim, sinto a tua falta!


Alma às 22:38
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Sábado, 17 de Abril de 2010

Um horizonte de possibilidades

Fecho os olhos e estou numa praia deserta.
Sentado na areia, os pés dispostos a sentir as ondas que, mais atrevidas, decidem rebentar perto.
O meu olhar perde-se no horizonte, onde ainda estão abertas todas as possibilidades.
Sinto o vento quente nas costas nuas, sinto como acaricia a minha pele.
Pego um punhado de areia e sinto como se me escapa por entre os dedos.
Por vezes, também permiti que momentos bons da minha vida se escapassem assim, sem fazer nada para alterar o rumo...
Respiro profundamente, tentando absorver todo o ar que me rodeia. Talvez queira respirar também o calor do sol que já toca a água, lá longe, onde apenas chega a minha imaginação.
Aí, o sol vai-se apagando com a água. Também a água ferve e evapora ao tocar o sol.
Vejo como nascem as primeiras estrelas...
Penso que a água ao evaporar levou pequenos pedaços de sol até ao céu e assim nasceram essas pequenas estrelas.
O vento já não é tão quente.
Começo a sentir frio e abraço-me.
Levanto-me, disposto a terminar o dia.
Abro os olhos.
O sol ainda brilha.
Não há estrelas.
Ainda tenho tempo para voltar a fecha-los ou para me fazer ao mundo e ser feliz.
Apenas tenho de encontrar as chaves!


Alma às 22:37
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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

A busca

Vasculhei todo o quarto, passando pelo espelho, o armário e pelas minhas mãos.
Levantei a almofada e sacudi os meus sonhos.
Abri cada porta, gaveta e caixote.
Destapei o guarda-jóias e as caixas de musica.
Desmontei a televisão, as cadeiras e as minhas entranhas.
Espreitei debaixo da cama, entre os lençóis, por cima da cómoda, por detrás das tuas fotos.
Remexi as minhas palavras, as minhas promessas e os meus Sábados...
mas não te encontrei... apenas o teu cheiro que perdura no pijama.


Alma às 23:41
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Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

201 dias

Hoje enchi-me de recordações.
Recordações dos 201 dias mais felizes da minha vida.
Recordações de olhares e sorrisos cúmplices, de promessas perdidas no tempo, de vazio e de plenitude.
Recordei cada lugar, cada sentido, cada momento.
Momentos únicos, irrepetíveis, graças a ti.
Alguns perdidos no passado, outros lutando pelo presente.
Algumas recordações vivem em mim como sinais apenas perceptíveis, outros são cicatrizes que o tempo curará à sua maneira e que apenas recordo como se fizeram.
Ficaram os bons momentos, a parte feliz, a recordação doce do passado.
Há momentos que desejava reviver com a mesma intensidade, outros que gostaria de poder mudar para que fossem como tantas vezes sonhados.

E no entanto... todos são perfeitos!

Obrigado por tudo.

Amo-te muito.


Alma às 23:49
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

A vida

A vida dá muitas voltas e situações que não se conseguem entender são decifradas como por magia.
Finais podem ser começos, tristezas dão lugar a alegrias.

Faz-me lembrar a desculpa típica "estou mal, por isso não posso..."
Recordo a dor de não saber o que fazer na distância, noites brancas de pensamentos cinzentos. Lágrimas desesperadas por uma solução, buscas sem horário de um fio de esperança.

Finais podem ser começos...
Começos podem ser ilusões.

Por medo esconde-se o mais forte, por detrás de uma capa de mil cores. Quando se acha seguro, sai. Então nada é como se pensava. Cresce a confusão, aumenta a escuridão. O que interessam agora as mil cores da capa se já nada é como era?

Começos podem ser ilusões...
Ilusões podem ser realidade.

Porque basta uma palavra para alterar uma vida. Não se diz a palavra por receio de rejeição ou não entendimento, outras porque tudo pode sair como sonhado.

E conseguido o sonho desejado, o que nos resta?

Realidade pode ser um final.
Realidade pode ser um começo.
Realidade pode ter sido uma ilusão.


Alma às 23:29
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Domingo, 4 de Abril de 2010

Onde estás?

Onde deixamos as palavras de amor?
Quando é que as trocamos por punhais?
As mesmas palavras, as mesmas duas bocas que se uniam em suaves beijos...
Palavras antes doces, agora amargas.
Em que momento mudamos tanto que deixei de te conhecer?
Recordo noites de sonhos e desejos, esperança no futuro, planos de passeios ensolarados...
Onde está isso tudo?
Não é passado...
Hoje temos os mesmos sonhos, os mesmos desejos, as mesmas esperanças. Talvez tenhamos ainda mais.
E no entanto... não fazemos mais que nos odiar.


Alma às 02:45
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Sábado, 3 de Abril de 2010

O que é o amor?

O amor é um cúmulo sensações, emoções e sentimentos que chega a ser tão forte e poderoso que no seu extremo é irresistível.

É tão grande o sentimento que embarga o ser humano nesse momento, que não pensa, não raciocina, apenas se deseja estar com o ser amado a todo o custo, tudo ao redor muda de significado, os pequenos detalhes ganham grande importância, esquecendo-se por vezes de levar uma vida activamente normal.

O amor, diz-se que é um mal-estar no estômago que se apodera da nossa vontade e não ouve razões. Vive dentro de nós, manifestamo-lo em alguém especial desejando brotar tudo de bom que se tem para dar, e quando esse alguém se vai embora, não é o amor que se perde, esse permanece aí, precisamente onde nasceu porque o amor é a nossa essência e aí continua adormecido, expectante para encontrar outro ser humano que sinta e partilhe gostos e desejos, sonhos e ilusões.

O amor entrega-se, partilha-se, manifesta-se de todas as formas e condições possíveis, sem olhar a religiões ou culturas. Todos o sentimos, todos o transmitimos, é o amor que move o mundo, é a ternura, o carinho, o respeito aos outros. O amor tem de ser demonstrado quando é preciso, sacrificado quando necessário.

O amor em si é o sentimento que te faz amar, sofrer, chorar e perdoar. Nasce dentro de nós e aí permanece esperando ser acordado e manifestar-se em toda a sua magnificência, e digo isto porque é maravilhoso viver enamorado, albergar no nosso coração tão delicado sentimento, faz-nos estremecer as emoções, sonhar com o possível e chorar o impossível.

É tão maravilhoso que nos acorda de noite, faz-nos sonhar acordados, alegra-nos quando o temos e morremos quando o perdemos, e mesmo assim continuamos amando.


Alma às 23:33
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Paranoia

Quando acordo os meus ossos estalam e provocam uma dor indolor
Espreguiço-me lentamente para não quebrar o inquebrável
É uma esperança desesperante, uma ilusão irrisória.
Uma mente em ebulição que procura a razão do irreal em palavras que não existiram
Ver novamente o dia, a madrugada que pede lugar à noite, abrir os olhos para ver realidades que mais parecem irreais, pensamentos que não deviam sair, enjaular as memórias e não viver as vivências.
A felicidade do infeliz, a procura do impossível, não sentir com os sentidos e deixar de falar, falando com o pensamento sem pensar no que dizemos.
A ilusão do decepcionante e a mentira verdadeira que não deixa de surpreender o que já não surpreende num mar de letras que procuram formar frases com algum raciocínio irracional.
Paranóias de um dia cinzento que se abre fechando-se à mente dos dementes dando lugar a tudo o escrito, apagando-o da memória que queremos esquecer, recordando-o sempre...
Chamem-me louco...


Alma às 11:27
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Sábado, 15 de Agosto de 2009

Riqueza ou fortuna

Há muito muito tempo... quando tinha 17 anos fui estudar para a cidade. Conheci uma colega de escola, que passava despercebida não fosse a magia que transmitia só ao passar ao lado. Não sei se eram os seus olhos verdes ou aquele sorriso sincero que não hesitava em brilhar. Não foi a sua amizade que me marcou, ou a paixoneta que tivemos ou até o sorriso que me ficou de recordação da sua passagem pela minha vida. Ela ensinou-me a diferença entre fortuna e riqueza.

Por se tratar de uma história verídica, vamos dar-lhe um nome para a distinguir, vamos chama-la de Laura.

Laura era uma rapariga alegre, risonha mas notava-se uma certa distracção como que encandeada por algum pensamento. Era membro de uma família importante economicamente apesar de não se notar na sua forma de ser e de vestir. Fiquei surpreso quando aquela rapariga simples me convidou para ir a sua casa ;) e me vi diante das portas daquele casarão. Mas notei que os seus olhos perdiam brilho ao entrar naquela casa.

Era outra Laura, inquieta, triste, atormentada. Disse-me para irmos rapidamente para o seu quarto e descobri o porquê da sua reacção. A sua mãe.

A mãe da Laura era uma senhora ricaça que nunca teve de trabalhar, pois tudo provinha da herança e, abituada aos caprichos da boa vida tinha-se convencido que era intocavel e por isso, pensava que tinha o direito de controlar toda a gente como lhe apetecesse. "Assaltou-me" na primeira sala fazendo um sem fim de perguntas pessoais e olhando de nariz empinado com ar depreciativo. Mas notei algo errado, nunca tinha estado antes numa situação idêntica e naquele momento a minha capacidade de reacção era equitativa à minha tenrra idade.

Transposta a barreira matriarcal, fomos para o quarto "estudar". Era uma pequena divisão, muito simples comparativamente com o resto da casa. Laura dirigiu-se à casa de banho para poder trocar de roupa e vestir algo mais comodo visto não poder sair mais de casa. Essa expressão "não poder sair mais de casa" marelou-me os ouvidos. Que se passa nesta casa? perguntei inquieto, intrigado e com desejos de saber a verdade. Laura despiu-se e trocou de roupa. Num descuido ;) dela pude reparar numa enorme mancha no seu braço, era uma ferida profunda que depressa se tapou com a nova camisola (na semana passada vi que ainda tem a cicatriz). Ao por a roupa num cesto caiulhe um par de calças, o qual recolhi e ao fazê-lo, piquei-me. Espreitei e vi algo horrivel. As calças estavam remendadas por dentro com uma especie de gesso e cola. Por fora parecia apenas roto mas por dentro deixava marcas nas pernas de Laura.

-Laura, o que é isto?

-Não te preocupes G.

-Como posso não me preocupar? Estás toda ferida. Tens uma ferida no braço e estas calças magoam-te nas pernas. Como remendaste as calças assim? Compra outras.

-Não fui eu que as remendei... e quem me dera poder comprar outras. -disse olhando tristemente o infinito. -Inclusivamente terei de abandonar os estudos...

E assim começou a contar-me a sua vida. Laura era adoptada. Pela idade, os seus pais poderiam ser seua avós, mas naqueles anos 80, em que o dinheiro e as influências dos ricaços pagavam tudo, isso não era problema. A sua mãe, uma mulher dominante e manipuladora, humilhava-a constantemente dizendo coisas como "és de uma raça inferior à minha...", "recolhi-te do lixo e deverias estar agradecida...", e outros insultos piores. Até com os ciumes que tinha da relação dela com o pai, que era o unico que a ouvia, proibia-a de estar só com ele dizendo que era um homem e ela uma mulher... isso a uma criança de 8 anos, idade que Laura recorda ter sido o inapropriado episódio.

Não podia comprar roupa nem nada, apenas recebia uma ridicula mesada de 3 contos, que para aqueles que não se recordam do escudo, seria mais ou menos 15 euros. Laura, relatou-me os seus maus tratos fisicos e psicologicos, os ciumes de sua mãe porque ela sempre quiz ser bonita e nunca o foi... ao contrário Laura sempre foi um anjo. Mesmo vivendo num inferno era um belo anjo...

-G, vou ter de abandonar os estudos porque apenas me pagam a matricula e não posso viver com 3 contos por mês, fotocópias, livros, etc. Vou embora, já sou maior e ofereceram-me trabalho na discoteca com o qual espero poder poupar e aí sim, continuar os estudos...- fez uma pausa e abraçou-me banhada em lágrimas. - agora quando fores embora, não voltarás a esta casa porque ela escolhe com quem posso estar ou não e apenas gosta de pessoas como ela... e nem tu nem eu somos como ela. Somos muito mais ricos, temos a verdadeira riqueza.
Parecia impossível a força que emanava dela. Certo é que a proibiram de falar comigo ou ver-me, mas cedo se livrou desse dominio e partiu. Fez uma mala, deixou as chaves de casa na mesa e saiu daquela ilha num Sábado de tarde de um mês de Abril.
Não pôde terminar os estudos porque tinha de sobreviver, mas não vive mal e concluiu com esforço um curso de formação profissional, financiado pelo seu esforço e determinação. A tão falada crise também a afecta, mais que a qualquer um, mas estará sempre agradecida por ter escapado daquele inferno e sobreviver às portas do céu. Não conheço ninguém que seja tão rica com tão pouco.
Quero fazer aqui uma homenagem a todas as crianças que nesses tempos foram maltratadas e não tinham atenção. Essas crianças que a assistência social não os protegia porque eram bens, como podia ser o carro ou o cão. A todas essas crianças que hoje são homens e mulheres, quero pedir perdão por uma sociedade que tardou a evoluir (?), que não os soube ouvir e que lhes roubou a infancia merecida.
Parabéns Laura, conseguiste. Tenho pena de outros que não tiveram a tua coragem.


Alma às 09:11
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Ego. Eu, eu e o mundo.

Há algum tempo comecei a busca de mim mesmo, porque não sabia quem era. Isso frustrava-me e impedia que me pudesse amar. Como podes gostar de ti se não sabes quem e como és? Tudo estava ali, era fácil ver como era, pelo menos para mim deveria ser. Mas não queria aceitar muitos dos meus defeitos e fraquezas, de uma forma hipócrita dizia que sim, mas na realidade odiava ver esses aspectos de mim mesmo, e isso fazia-me afundar e afundar, na minha censura, na minha penitencia e na fuga de mim mesmo.
Acho que finalmente estou a aceitar-me como sou, é certo que não sou sempre a mesma pessoa em circunstancias diferentes, o que me anima, porque há momentos em que me comporto como a pessoa que gostava de ser, e tenho como firme propósito potenciar e alimentar esses momentos.
É igualmente certo que me odeio em certos momentos e é difícil gostarmos de nós quando os recordamos, e são estes os que mais frequentemente me vêm à cabeça, mas tento olhar de fora com um sorriso paternal, e não os desculpar tanto como tentando ser compreensivo. Sou fraco muitas vezes, mesmo que isso não tenha sido sempre mau, fez-me viver coisas "proibidas" das quais retirei mais um ensinamento, e experiencia vital da qual afinal de contas estou orgulhoso, já que pouca gente tem a minha perspectiva.
A tarefa encomendada já está mais ou menos concluída, já me conheço... um pouco melhor. Todos os dias aprendo coisas novas de mim, também é certo, mas aceitei o básico.
Agora resta-me gostar de mim, e creio que vai ser uma tarefa diária, como é gostar de outra pessoa com os seus defeitos e fraquezas, com quem por vezes temos de ser compreensivos e tolerantes, e outras permitir-nos sentir orgulho e amor.


Alma às 08:50
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Terça-feira, 21 de Julho de 2009

Nunca deixes de sonhar

 Quando chegamos a este mundo trazemos os olhos cheios de simplicidade e de uma alegria ingénua, contagiosa... Nesse fase da nossa infância, despreocupada e leve, quantos sonhos temos? A imaginação corre livremente. Não há limites para a mente fértil. Tudo é possível.

Mas crescemos, e a vida encarrega-se de apagar um pouco o brilho dos nossos olhos. Ouvimos tantas vezes a palavra "não" que, pouco a pouco, revestimo-nos de cuidados exagerados. Passamos a ter medo de ousar, ir mais além, de transpor os limites... Devagar, muito lentamente, passamos a pôr cada vez mais travões na nossa alma, a exercer autocensura, a matar a imaginação. Antes de sonhar já dizemos: "Ahh, isso não é possível!", ou "Isto não vai acabar nada bem!". Não nos permitimos imaginar algo novo e ousado.

Mas, pensemos, será que vale a pena viver de uma forma tão metódica, com cada passo contado, com os sonhos reprimidos...? A resposta é não. Não vale a pena sufocar os sonhos, porque podem ser a ponte para uma vida mais feliz e plena.

Um sonhador é alguém que não se acomoda. Busca sempre algo bom, novo, diferente. É um idealista, um lutador. No entanto não estamos a falar de pessoas rebeldes, daqueles que querem quebrar as regras como forma de provocação. Falamos de pessoas que aspiram a viver num mundo mais justo, cheio de ética e paz.

Lembram-se de quando o John Lennon cantava que era um sonhador, mas que não era o único? Na música Imagine, ele imaginava um mundo livre de preconceitos religiosos, sem que as fronteiras dos países impedissem aos homens de ser irmãos. Bom, o que Lennon queria era que mais sonhadores se unissem a ele, para que o mundo fosse um, muito mais unido, mais solidário e com amor.

Vamos aceitar este convite? Sim, porque aceitar essa chamada de irmandade é também aceitar a mensagem de grandes lideres religiosos, filósofos, pessoas de bem. Recordem que a humanidade evolui porque há quem sonhe. Inventores, cientistas e pensadores em geral são grandes sonhadores.

Gandhi sonhou que a independência da Índia seria conquistada sem recurso à violência. Conseguiu vergar o poderoso império britânico sem usar armas. Nada mais que gestos de amor, seriedade e uma vontade determinante.

São homens como eles os verdadeiros sonhadores. Não esperam sentados. Não se deixam abater. Não deixam que o pessimismo alheio os contamine.

Os sonhadores movem o mundo, a partir de ideias que transformam em realidade. Os seus são sonhos de bem, de fraternidade, de gestos de amor.

Permite-te também sonhar com coisas belas, procurar mudanças positivas. Toca as estrelas com a ponta dos dedos. Sonha... Sonha, sim! Todos os dias e a todas as horas, e tenta que os teus sonhos se materializem, para mudar o mundo para melhor. Sonha....

 

Música: Imagine - John Lennon

 

sinto-me: sonhador
música: Imagine - John Lennon

Alma às 21:48
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

A História

Por vezes a realidade da vida dá-nos um estalo bem dado na cara. Bate-nos com o seu lado duro com algo que não quisemos ver...

Dói, muito, mais do que pudéssemos imaginar. É tão forte o estalo que ficamos sem saber o que realmente nos aconteceu. No entanto, temos de ir buscar forças onde não as há e devolver o estalo à vida. E como se faz isso? Simplesmente vivendo.

Perder alguém tão especial, alguém de quem gostas muito, alguém com quem tens uma cumplicidade fora do comum, de quem sabes tudo e tudo sabe de ti, é algo que não devia acontecer, mas temos de seguir em frente. Se a pessoa já não está ao meu lado, provavelmente será porque não deveria ser essa a pessoa a lá estar. Ou sim... Se foi embora é porque não era quem devia acompanhar-me no meu caminho... assumo-o.

Muitos estamos assim, todos os dias acontece a milhares de pessoas, e estes milhares de pessoas vemos o mundo cair-nos em cima, e pensamos que não temos valor algum, mas não é assim. Estamos redonda e quadradamente enganados. A vida é algo maravilhoso do qual não devemos desperdiçar um só segundo a lamentar aquilo que não temos. Vamos sim desfrutar daquilo que temos.

Decidi, chorei, e muito, amaldiçoei, mais e mais, mas hoje tenho consciência que bati com o nariz na porta, mas eu não devia mesmo entrar ali, pelo qual seguirei caminhando pelo corredor da vida, aproveitando ao máximo cada momento e desfrutando infinitamente o que me rodeia.

E a ti, protagonista camuflada desta história, sempre gostei muito de ti, como sabes, e sempre gostarei porque estamos estreitamente ligados pelo fruto do nosso amor, e continuarás a ser a melhor pessoa que conheci na vida, e mesmo tendo isto dado merda porque não soubemos lutar, sempre terás "o teu cantinho" no meu coração. Apesar de me chamares de "o empecilho... black shirt" não vou "desinfectar" facilmente porque ainda precisas muito da minha ajuda, como sabes. E eu da tua. Espero que continuemos como sempre fizemos, porque posso ter perdido o teu amor, mas jamais suportaria perder a amizade e cumplicidade cultivada  ao longo de 9 anos.

Sê feliz. Mereces

Eu serei, afinal, também mereço...


Beijinhos.

 

Música:   The Story - Brandi Carlile

 

 

 

música: The Story - Brandi Carlile

Alma às 00:41
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

O sonho

Hoje sonhei contigo, sim, contigo. Não deixa de ser curioso, porque não conheço o teu rosto, mas não parece ser um problema para a minha imaginação. Hoje sonhei contigo e foi lindo. Talvez o melhor da vida sejam estes pequenos momentos, sim, aqueles em que sonho. Neles as coisas são tão perfeitas, as histórias incríveis, os personagens tão sinceros, a vida tão intensa e completa... Ou talvez o sejam porque neles estás tu. Sonhar contigo, doce castigo. Provavelmente um sonho não seja a melhor forma de te conhecer, seguramente não. Mas era tudo tão perfeito... Talvez esse seja o problema, a perfeição no meu sonho, o irreal. Quero continuar a sonhar contigo, quero ver-te novamente, quero voar no meu mundo de fantasias e que ninguém me possa dizer que não é real, quero ver-te novamente, quero sentir-te mais e mais... Que me chamem de louco que no meu sonho continuarei. Vou procurar-te nos meus sonhos esta noite, espero rever-te.


Alma às 21:54
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