Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

Desculpa, ainda não sou capaz...

—Dás-me um beijo?
—Não posso, já não tenho mais beijos!
—Como não tens mais beijos?
—A sério, já não tenho mais. Olha para a minha boca. Vês? Está vazia... Não tenho mais beijos para dar, dei-os todos!
—Pois, pois... Queria mesmo um beijo teu! Está bem, talvez tenha mais sorte outro dia...
—Espera, tenho algo neste bolso. Olha! É um beijo. Um beijo enorme! Se esperares um momento, ponho-o na minha boca e poderei dar-to. Agora, rápido, que vem alguém e tira-to!


Alma às 23:38
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Sábado, 26 de Setembro de 2009

A flor não nasce bonita

"A flor não nasce bonita... Nasce para ser uma flor.
A sua beleza requer que quem olhe para ela tenha capacidade para a descobrir.
Podem passar a seu lado centenas ou milhares de pessoas, mas alguns nem sequer se apercebem da sua existência.
Outros não encontrarão nela nada singular que a destaque da paisagem envolvente.
Haverá também aqueles que pensarão que apenas é mais uma flor.
Talvez apareça quem lhe dedique alguma atenção atraídos pelas suas cores e seguirá o seu caminho...
Mas em algum momento aparecerá quem não a considere apenas mais uma flor, e tenha todo o tempo necessário para se deleitar a observa-la em cada milímetro, descubra novas sensações ao acariciar suavemente as suas pétalas, e não passe ao largo, mas decida que é uma flor demasiado bonita para não a conservar...
Assim, com profundo cuidado e amor, cavará em torno da sua raiz e com todo o seu carinho e atenção a levará para o seu jardim onde a cada momento possa tê-la por perto para a cuidar, apreciar, deixar-se cultivar por ela... para a amar.
E não lhe vai pedir para mudar a sua cor, a sua forma, o seu perfume...
Ela nasceu flor.
Ela nasceu assim.
Também assim a tua vida pode ser como essa flor... talvez passem centenas ou milhares de pessoas ao teu lado sem que se apercebam do teu valor, dos teus sentimentos, da tua própria existência.
Até que alguém com a necessária capacidade interior te descubra no meio do mundo, ponha em ti os seus olhos e faça de ti parte do seu mundo sem que para isso te tenha de modificar ou mostrar numa forma diferente.
Alegra-te de teres nascido como és e aguarda a chegada desse grande dia."

Dedicado à minha Jardineira


Alma às 23:08
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Novamente jovem

Há já umas semanas que a frase "não me interessa se vou morrer agora mesmo" deixou de fazer sentido. Tenho vontade de viver, de ser feliz, de beijar, de me apaixonar perdidamente, de sair, de respirar... tenho vontade de ser novamente jovem, e não quero saber se o mundo está mal, não quero saber de nada porque já sacrifiquei a minha felicidade por me preocupar com algo que não posso solucionar. Daqui em diante dedicar-me-ei a viver, a não me arrepender de algo que não fiz... de te dizer vem e te dar um beijo mesmo que não sejas a mulher da minha vida, ou talvez sim??? Não vou parar para pensar nisso, simplesmente vou desfrutar-te enquanto puder e quiser... porque mereço ter novamente 18 anos...


Alma às 20:06
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Sábado, 12 de Setembro de 2009

Como se mede a vida

A vida não se mede somando pontos.
A vida não se mede pelo número de amigos que tens, nem pela forma que os outros te aceitam.
Não se mede segundo com quem sais, com quem costumavas sair, nem pelo numero de pessoas com quem saíste, nem por se nunca saíste com ninguém.
Não se mede pelo número de pessoas que beijaste.
Não se mede pela importância da tua família, pelo dinheiro que tens, pela marca de carro que conduzes, nem pelo local onde estudas ou trabalhas.
Não se mede pela tua beleza física, pela marca de roupa que vestes, nem pelos sapatos, nem pelo tipo de musica que gostas.
A vida não é nada disso.
A vida mede-se segundo a quem amas e a quem magoas.
Mede-se segundo a felicidade ou tristeza que proporcionas aos outros.
Mede-se pelos compromissos que cumpres e pelas confianças que atraiçoas.
Mede-se pelo sabor que deixas na boca dos outros com a tua presença e com os teus comentários.
Trata-se da amizade, a qual pode ser usada como algo sagrado ou como uma arma.
Trata-se do que se diz, o que se faz e o que se quer dizer ou fazer, seja maléfico ou benéfico.
Trata-se dos juízos que formulas e a quem ou contra quem os comentas.
Trata-se de a quem ignoras intencionalmente.
Trata-se dos ciúmes, do medo, da ignorância e da vingança.
Trata-se do amor, o respeito e o ódio que tens dentro de ti, de como o cultivas e de como o regas.
Principalmente trata-se de se usas a vida para alimentar o coração de outros.
Tu e só tu escolhes a forma como vais afectar os outros, e essas decisões são do que trata a vida.
A vida será tão justa contigo como é com os outros.
Fazer um amigo é fácil, uma graça.
Ter um amigo é um dom.
Conservar um amigo é uma virtude.
Ser um amigo é uma honra.
Mas a vida fala de ti, por aqueles amigos que fielmente soubeste conservar.
Por aqueles a quem te soubeste entregar sem exigências.
Aqueles que quando não estás choram a tua ausência.


Alma às 08:21
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Sábado, 22 de Agosto de 2009

O rumor

Numa pequena aldeia morava uma velha com dois netos, um de 17 e a neta de 14 anos de idade. Certo dia, enquanto lhes servia o pequeno-almoço tinha uma expressão de preocupação.
Os netos perguntaram-lhe qual a razão de tal preocupação, ao que ela responde "Não sei, mas acordei com o pressentimento de que algo de muito grave vai acontecer a esta aldeia".
O neto vai ao salão de jogos para mais uma partida de bilhar com os amigos, e no momento em que ia fazer uma jogada muito fácil, o adversário disse-lhe: "Aposto cinco euros em como não a fazes".
Todos se riem. Ele ri-se. Dá a tacada e não consegue marcar a bola. Paga os cinco euros e todos lhe perguntam o que se passou, sendo uma jogada tão fácil e ele respondeu: "É verdade, mas estou preocupado com uma coisa que me disse a minha avó esta manhã sobre algo muito grave que vai acontecer a esta aldeia.
Todos se riram dele, e aquele que ganhou os cinco euros regressa a casa, e diz com ar tanto feliz como de troça à mãe: "Ganhei este dinheiro ao Zeca de uma forma muito simples porque ele é um tótó. Ao fazer uma jogada muito simples ficou perturbado com a ideia de que a sua avó hoje acordou com a ideia de que algo muito grave vai acontecer a esta aldeia"
A mãe responde com ar de reprovação: "Não troces dos pressentimentos dos velhos porque às vezes acontecem".
A sua tia ouve a conversa e de seguida vai ao talho. Chegada ao talho diz ao empregado: "Dê-me um quilo de carne", e no momento em que ele cortava, ela diz-lhe: "É melhor cortar dois, porque andam a dizer que algo muito grave vai acontecer a esta aldeia, e é melhor estar preparada".
O empregado avia a cliente e quando entra uma senhora para comprar um quilo de carne, diz: "É melhor levar dois porque andam a dizer que algo muito grave vai acontecer a esta aldeia, e que já se estão a preparar comprando coisas".
A senhora responde: "Tenho vários filhos, é melhor levar quatro quilos..." Leva os quatro quilos, e para não alongar muito este conto, direi que o talho esgotou a carne em meia hora, matam outra vaca, vende-a toda e vai-se espalhando o rumor.
Chega o ponto em que todos os habitantes da aldeia, estão à espera que aconteça algo.
Todos param de trabalhar ao meio-dia e alguém disse: "Já repararam no calor que está?" Responde-lhe um: "Mas nesta aldeia está sempre calor!" Diz um terceiro: "No entanto, a esta hora nunca esteve tanto calor."
Na aldeia deserta, na praça deserta, pousa um pequeno passarinho e corre a notícia: "Está um passarinho na praça".
Toda a gente vem à praça admirar o passarinho, e diz um: "Sempre pousaram passarinhos na praça" Responde outro: "Sim, mas nunca a esta hora".
Chegam a um estado de tensão tal, que todos querem ir embora mas não têm coragem para o fazer.
-Eu sou muito homem - grita um-. Vou embora.
Pega nos seus móveis, nos seus filhos, nos seus animais, mete-os na carroça e atravessa a praça central onde todos o vêm. Até que todos dizem: "Se este se atreve, então nós também vamos".
E começam literalmente a desmantelar a aldeia. Levam tudo.
Um dos últimos a abandonar a aldeia, diz: "Que não venha a desgraça cair sobre o que resta da nossa casa", e incendeia-a seguido de todos os outros.
Fogem num verdadeiro e tremendo pânico, como um êxodo de guerra, e no meio deles vai a velha que teve o pressentimento, e diz ao neto que está a seu lado: "Viste meu neto, como algo muito grave ia acontecer a esta aldeia?"
A isto chama-se a profecia auto-cumprida. Não dês ouvidos aos rumores. Não sejas tu um instrumento para criar o caos. Vamos construir, não destruir!


Alma às 15:30
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Sábado, 15 de Agosto de 2009

Riqueza ou fortuna

Há muito muito tempo... quando tinha 17 anos fui estudar para a cidade. Conheci uma colega de escola, que passava despercebida não fosse a magia que transmitia só ao passar ao lado. Não sei se eram os seus olhos verdes ou aquele sorriso sincero que não hesitava em brilhar. Não foi a sua amizade que me marcou, ou a paixoneta que tivemos ou até o sorriso que me ficou de recordação da sua passagem pela minha vida. Ela ensinou-me a diferença entre fortuna e riqueza.

Por se tratar de uma história verídica, vamos dar-lhe um nome para a distinguir, vamos chama-la de Laura.

Laura era uma rapariga alegre, risonha mas notava-se uma certa distracção como que encandeada por algum pensamento. Era membro de uma família importante economicamente apesar de não se notar na sua forma de ser e de vestir. Fiquei surpreso quando aquela rapariga simples me convidou para ir a sua casa ;) e me vi diante das portas daquele casarão. Mas notei que os seus olhos perdiam brilho ao entrar naquela casa.

Era outra Laura, inquieta, triste, atormentada. Disse-me para irmos rapidamente para o seu quarto e descobri o porquê da sua reacção. A sua mãe.

A mãe da Laura era uma senhora ricaça que nunca teve de trabalhar, pois tudo provinha da herança e, abituada aos caprichos da boa vida tinha-se convencido que era intocavel e por isso, pensava que tinha o direito de controlar toda a gente como lhe apetecesse. "Assaltou-me" na primeira sala fazendo um sem fim de perguntas pessoais e olhando de nariz empinado com ar depreciativo. Mas notei algo errado, nunca tinha estado antes numa situação idêntica e naquele momento a minha capacidade de reacção era equitativa à minha tenrra idade.

Transposta a barreira matriarcal, fomos para o quarto "estudar". Era uma pequena divisão, muito simples comparativamente com o resto da casa. Laura dirigiu-se à casa de banho para poder trocar de roupa e vestir algo mais comodo visto não poder sair mais de casa. Essa expressão "não poder sair mais de casa" marelou-me os ouvidos. Que se passa nesta casa? perguntei inquieto, intrigado e com desejos de saber a verdade. Laura despiu-se e trocou de roupa. Num descuido ;) dela pude reparar numa enorme mancha no seu braço, era uma ferida profunda que depressa se tapou com a nova camisola (na semana passada vi que ainda tem a cicatriz). Ao por a roupa num cesto caiulhe um par de calças, o qual recolhi e ao fazê-lo, piquei-me. Espreitei e vi algo horrivel. As calças estavam remendadas por dentro com uma especie de gesso e cola. Por fora parecia apenas roto mas por dentro deixava marcas nas pernas de Laura.

-Laura, o que é isto?

-Não te preocupes G.

-Como posso não me preocupar? Estás toda ferida. Tens uma ferida no braço e estas calças magoam-te nas pernas. Como remendaste as calças assim? Compra outras.

-Não fui eu que as remendei... e quem me dera poder comprar outras. -disse olhando tristemente o infinito. -Inclusivamente terei de abandonar os estudos...

E assim começou a contar-me a sua vida. Laura era adoptada. Pela idade, os seus pais poderiam ser seua avós, mas naqueles anos 80, em que o dinheiro e as influências dos ricaços pagavam tudo, isso não era problema. A sua mãe, uma mulher dominante e manipuladora, humilhava-a constantemente dizendo coisas como "és de uma raça inferior à minha...", "recolhi-te do lixo e deverias estar agradecida...", e outros insultos piores. Até com os ciumes que tinha da relação dela com o pai, que era o unico que a ouvia, proibia-a de estar só com ele dizendo que era um homem e ela uma mulher... isso a uma criança de 8 anos, idade que Laura recorda ter sido o inapropriado episódio.

Não podia comprar roupa nem nada, apenas recebia uma ridicula mesada de 3 contos, que para aqueles que não se recordam do escudo, seria mais ou menos 15 euros. Laura, relatou-me os seus maus tratos fisicos e psicologicos, os ciumes de sua mãe porque ela sempre quiz ser bonita e nunca o foi... ao contrário Laura sempre foi um anjo. Mesmo vivendo num inferno era um belo anjo...

-G, vou ter de abandonar os estudos porque apenas me pagam a matricula e não posso viver com 3 contos por mês, fotocópias, livros, etc. Vou embora, já sou maior e ofereceram-me trabalho na discoteca com o qual espero poder poupar e aí sim, continuar os estudos...- fez uma pausa e abraçou-me banhada em lágrimas. - agora quando fores embora, não voltarás a esta casa porque ela escolhe com quem posso estar ou não e apenas gosta de pessoas como ela... e nem tu nem eu somos como ela. Somos muito mais ricos, temos a verdadeira riqueza.
Parecia impossível a força que emanava dela. Certo é que a proibiram de falar comigo ou ver-me, mas cedo se livrou desse dominio e partiu. Fez uma mala, deixou as chaves de casa na mesa e saiu daquela ilha num Sábado de tarde de um mês de Abril.
Não pôde terminar os estudos porque tinha de sobreviver, mas não vive mal e concluiu com esforço um curso de formação profissional, financiado pelo seu esforço e determinação. A tão falada crise também a afecta, mais que a qualquer um, mas estará sempre agradecida por ter escapado daquele inferno e sobreviver às portas do céu. Não conheço ninguém que seja tão rica com tão pouco.
Quero fazer aqui uma homenagem a todas as crianças que nesses tempos foram maltratadas e não tinham atenção. Essas crianças que a assistência social não os protegia porque eram bens, como podia ser o carro ou o cão. A todas essas crianças que hoje são homens e mulheres, quero pedir perdão por uma sociedade que tardou a evoluir (?), que não os soube ouvir e que lhes roubou a infancia merecida.
Parabéns Laura, conseguiste. Tenho pena de outros que não tiveram a tua coragem.


Alma às 09:11
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Alguém me entende?

Vi esta noite que a tua luz já não brilha, que o teu coração já não é o que era. Ouvi-te chorar e não gosto nada. Deixa de pensar constantemente em todo o mal que te fez, deixa de pensar nas coisas que já não têm solução, deixa que o tempo apague tudo aquilo que não serve para a tua cabeça, deixa que o tempo vá pelo seu caminho e escolha o melhor. Se isto está a acontecer é porque tem mesmo de acontecer, para despertar o sexto sentido, para saber reagir. Vi como as lágrimas percorriam a tua face e até pude sentir o que ninguém pode ver, senti como sofrias em silencio e como já vias que tudo está perdido. Deixa-te levar pelas tuas emoções e deixa que nós tomemos o controlo, fala-te a tua mente e o teu coração.


Alma às 23:39
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De coração partido

Sei que não é o melhor momento, que agora vês tudo negro, mas aconteceu, tentaste prolonga-lo mas acabou!
Tens de ser forte, lutar por aqueles que ainda gostam de ti, pelos que te apoiam, por ti!
Mesmo sabendo que é difícil, mesmo que já não tenhas vontade de seguir!
A tua cabeça não responde e os reflexos ficaram para trás, mas sei que és forte e isso fará com que saias desta situação!
Não temas e não deixes que o medo se apodere de ti, o pior já passou, agora é lutar por um futuro melhor!


Alma às 15:10
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Quando é a vida de outro...

Hoje apareceu-me cá em casa uma amiga. Está a passar por um momento difícil e disse que não pode falar com mais ninguém como o faz comigo, que a entendo sem censuras e que o que lhe digo faz com que veja as coisas de outro ponto de vista. Há algum tempo era ela que me ouvia por um assunto idêntico...

Enquanto lhe falava ouvi-me a mim mesmo...
É tão fácil ouvir outra pessoa, entender o seu problema e aconselhar ou fazer ver as coisas de outra forma. É tão fácil como ver um filme e prever o final. Tudo é claro diante dos meus olhos. Então porque é tão complicado quando se trata da nossa vida?

Enquanto falava recordava que há bem pouco tempo ela dizia-me o mesmo e era ela que via tudo tão claro, e eu era um mar de dúvidas...

 


Alma às 08:50
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